Nunca é tarde demais para alcançar grandes objetivos


Por Adriana Marinho

É impossível passar por essa vida sem desejar conquistar algo. Desde que nasce, o ser humano já é lançado a desafios. Entre muitas demandas, o bebê já precisa se expressar para demonstrar algum incômodo ou necessidade, e assim conseguir o que precisa. É claro que as demandas mudam ao longo da vida, mas a necessidade de aprendizado e superação permanece para sempre. O problema é que nem sempre temos a consciência disso.

Quando não conseguimos atingir um objetivo ou acomodamo-nos em uma zona de conforto, vem sobre nós o sentimento de frustração, o desânimo e a ideia de tempo perdido. Com o passar dos anos, sem conseguir o sucesso pretendido, achamo-nos velhos demais para continuar as tentativas e entregamo-nos ao comodismo. Porém, uma coisa é certa: nunca é tarde para alcançar os nossos objetivos.

Conheci há algum tempo a história de um homem que, aos 52 anos, tornou-se um empresário de sucesso. Antes disso ele era representante de vendas, acumulava anos de experiência com a venda de produtos variados, porém, nem sempre conseguia alcançar com as vendas o sucesso que pretendia. Até que um dia, depois de passar semanas sem conseguir vender sequer uma de suas máquinas de milk-shake, recebeu a encomenda de oito máquinas para atender a uma única lanchonete. Intrigado, ele foi pessoalmente fazer a entrega para conhecer esse lugar.

Tratava-se de uma loja que vendia lanches rápidos, no formato de fast-food, em que os clientes formavam filas para fazer os seus pedidos e recebiam o lanche praticamente no mesmo momento. Àquela época, 1954, isso era surpreendente. Uma ideia única e original. Algo revolucionário. Enquanto os primeiros serviços de lanche no formato drive-in demoravam cerca de 30 minutos para entregar o pedido, a lanchonete conseguia entregar em 30 segundos um lanche que saía com embalagens descartáveis e podia ser comido em qualquer lugar. Inevitavelmente o negócio tornou-se sólido e popular.

Os irmãos Dick e Mac McDonald tiveram uma ideia inovadora e conseguiram o sucesso e a popularidade do seu negócio rapidamente, porém, não tinham pretensão de crescer — certamente já sabes de que lanchonete estou a contar, não é mesmo?! Quem tinha o espírito empreendedor, nesse caso, era o vendedor Ray Kroc, que ficou interessado em participar dos negócios e, com certa dificuldade, convenceu os irmãos McDonald a investir no sistema de franquias. Assim, Kroc passou a receber parte dos lucros da empresa.

Inconformado, ambicioso e focado nos negócios, Kroc provavelmente nunca estaria satisfeito. Ele tinha “fome de poder” e, pouco a pouco, conseguiu o domínio dos negócios. Os irmãos preferiam atuar diretamente na lanchonete para manter o controle de qualidade dos produtos a deixar a produção a cargo de terceiros em lugares distantes, onde não poderiam estar presentes. Para eles, as palavras certas eram três: “controle de qualidade”. Já para Kroc, a palavra-chave era “persistência”.

As primeiras franquias que Kroc vendeu não deram certo, porque os investidores não estavam engajados no negócio, não participavam do empreendimento, não tinham preocupação com a qualidade dos produtos e sequer os conheciam de verdade, pois não os consumiam. Com isso, não mantinham o mesmo know-how da marca — daí a importância do que sempre digo: se tu não és capaz de comprar o produto que vendes, jamais serás capaz de convencer alguém a comprá-lo.

Kroc identificou o seu erro e passou a escolher melhor os franqueados, dispensou aqueles que queriam apenas investir o seu dinheiro e escolheu pessoas dispostas a trabalhar conforme as regras e a enriquecer. O sistema de franquias funcionou bem a partir de então, mas a certa altura Kroc teve suas finanças reduzidas drasticamente — eventualidade comum entre empreendedores que se arriscam. Em busca de uma solução para o problema financeiro, o empresário foi aconselhado a estabelecer negócios no ramo imobiliário. Assim, passou a adquirir a propriedade dos terrenos onde seriam construídas as lanchonetes, de maneira que receberia os aluguéis conforme a lucratividade das lojas. Novamente, o empreendedor conseguiu driblar a crise e promoveu o crescimento do McDonald’s. Tempos depois, Kroc comprou a totalidade da empresa de Dick e Mac McDonald, mas descumpriu o acordo que firmou com os irmãos, deixando-os no prejuízo e no anonimato.

Acredito que é possível crescer com exemplos assim, tanto como empreendedora quanto como pessoa. Por um lado, a capacidade de identificar o potencial de um negócio, de projetar e colocar em prática as novas ideias, de não acomodar-se na zona de conforto e de não desistir da meta diante dos impedimentos, é algo precioso no empreendedorismo. Por outro lado, mesmo que a desonestidade e falta de integridade favoreçam o empresário de alguma forma, essas desvirtudes maculam a imagem do empreendedor e podem desconstruir todo o caminho de sucesso que foi construído. Não foi assim com Ray Kroc, mas um empreendedor justo e honesto não precisa prejudicar ninguém para crescer. Eu jamais colocaria o meu negócio a perder dessa forma. Tu colocarias?

O sucesso nos negócios depende de doses de ambição, foco e determinação. A história contada no filme “Fome de poder” (“The founder”, no original, dirigido por John Lee Hancock) foi baseada em fatos reais. Como tudo na vida, essa história pode ser vista por diferentes ângulos. Eu escolho ver o lado positivo do empreendedorismo de Ray Kroc, que despertou para o grande objetivo de sua vida depois dos 50 anos de idade. Isso me encoraja a nunca desistir dos meus sonhos. Quanto aos pontos negativos, observo com atenção e faço minhas escolhas, segundo os meus princípios valores.


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